Planeta Terra Versão 2.0

As grandes massas do povo tornar-se-ão mais facilmente vítimas de uma grande mentira do que de uma pequena.

Adolf Hitler (1889 ~ 1945)

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O Futuro

As massas nunca se revoltam por vontade própria, e nunca se revoltam porque são meramente oprimidas. Na verdade, desde que não lhes seja permitido ter padrões de comparação, nunca estarão cientes de que são oprimidas.

George Orwell

O facto de termos uma longevidade curta faz-nos pensar que estamos perante uma sociedade muito evoluída. A chamada “Civilização”. Porém, se vivêssemos uns 500 anos, perceberíamos facilmente que o conceito de “Civilização” não passa de isso mesmo — de um conceito.

Outro indício que reforça a ilusão de que somos civilizados é o facto de dispormos de uma panóplia de tecnologias. Isso faz-nos mesmo achar que somos muito avançados. Depois há o "dilema": evolui-se e adeus postos-de-trabalho, ou mantemos os postos e não se evolui?

O sistema económico pelo o qual nos regemos defende que o desenvolvimento de uma nação pode ser medido pelo quanto consome. Isto é, quanto mais compra e deita fora — infinitamente. Estranhamente, poucos vêem aqui qualquer coisa de errado. É que não se pode escavar infinitamente o planeta. Como Serge Latouche disse «achar que um ciclo de crescimento infinito é compatível com um planeta finito – ou é maluco, ou é um economista».

Para além deste flagrante "erro" há outro com o qual parece que ninguém se preocupa, que é o facto de ser matematicamente impossível de pagar qualquer que seja a taxa de juro. A única forma de pagar uma taxa de juro é através de outro empréstimo.

Vou tentar simplificar ao máximo para se perceber melhor: imagine que duas cidades — as únicas no mundo — pedem ao único banco um empréstimo de 100 euros. O banco imprime as suas duas primeiras notas de 100 e empresta-as às respectivas cidades e cobra-lhes uma taxa de juro de 1%.

Se o único dinheiro de ambas as cidades forem as duas notas de 100€ — façam lá elas quantas trocas comerciais fizerem — nunca aparecerão os 200€ mais as notas, dos 1% de juros que tem que ser o banco a imprimir através de um novo empréstimo. Por outras palavras: para se pagar um empréstimo tem que se contrair outro. A maior parte das pessoas não tem essa noção porque o dinheiro em circulação é muito maior, há muitíssimas mais "cidades", bancos, há empregadores, deduções e mais uma série de esquemas para "poupar/ ganhar" mais dinheiro. Mas a moral da história é que para se fazer mais dinheiro é preciso imprimi-lo. Alguém vai ter que pedir mais. Considerando que um grande volume das transacções financeiras são feitas electronicamente, o dinheiro-vivo em circulação é praticamente inexistente. É por isso que se os clientes forem todos ao banco levantar o dinheiro das suas poupanças, não há dinheiro para lhes pagar.

Há mais. Mas para se poder ver melhor o contraste entre a forma como vivemos e a forma como poderíamos viver. Para já temos uma padrão. Agora falta ver outro. O tal «padrão de comparação» de que George Orwell falava.

Há que ter em mente que se imaginar uma sociedade muito melhor do que esta, uma sociedade, digamos, mais evoluída, chama-se utopia. Se imaginar uma muito pior do que actual, com o estado e a polícia — um estado-policial — a controlarem e a meterem constantemente o nariz na sua vida, por que é para o bem da sociedade, a isso chamasse distopia.

Nos próximos artigos mostrarei outras formas de viver.