Planeta Terra Versão 2.0

Sê quem és e diz o que sentes, porque aqueles que se importam não interessam e aqueles interessam não se importam.

Theodor Seuss Geisel (1904 ~ 1991)

Pub

Doações

Saldo Acumulado: 0 EUR

Só é possível continuar a fazer este trabalho graças à sua generosidade.

Se considera que a informação aqui disponibilizada tem relevância para si e pretende fazer uma doação, por favor faça uma que esteja dentro das suas possibilidades financeiras.

Saiba como

Últimos Artigos

Globo
Portugal
Dinheiro
Ciência e Tecnologia
Conflitos Mundiais
Big Brother
Tirania
Fenómenos
Pub

Ministro da Defesa britânico Liam Fox demite-se

ArtigoComentários (0)
Liam Fox apresentou a sua demissão ao primeiro-ministro David Cameron

Foto: Reuters/ Suzanne Plunkett

O ministro da Defesa britânico Liam Fox demitiu-se nesta sexta-feira e admitiu ter “cometido um erro ao permitir que se esbatesse a fronteira entre os seus interesses pessoais e funções governamentais”.

Na origem da demissão está a ligação de Liam Fox ao empresário Adam Werritty, que acompanhou o até agora ministro da Defesa em 18 viagens oficiais e que, apesar de não ter qualquer função oficial, chegou a distribuir cartões de visita em que se apresentava como seu conselheiro. Para a pasta da Defesa vai Philip Hammond, que era até agora ministro dos Transportes.

A pressão sobre Liam Fox já se prolongava há uma semana. Hoje, na carta de demissão que enviou ao primeiro-ministro David Cameron, admitiu ter “permitido erradamente” que as suas responsabilidades pessoais e profissionais se tornassem indistintas.

Cameron respondeu rapidamente a este pedido de demissão, disse lamentar a saída de Fox mas “compreender as suas razões”, adiantou a BBC. O editor de política da estação britânica, Nick Robinson, sublinhou que o primeiro-ministro chegou à conclusão que Fox não poderia continuar em funções depois de ter sido tantas vezes questionada a sua ligação a Adam Werritty.

Fox tinha sido acusado de violar as normas ministeriais. Na sua carta de demissão admitiu que as consequências dos seus erros “tornaram-se claras nos últimos dias” e que “o interesse nacional deve estar sempre à frente dos interesses pessoais”.

Nesta sexta-feira a pressão sobre Fox aumentou, depois de o diário Times ter publicado um artigo a referir que financiadores ligados a Israel e a empresas privadas de serviços de informação ajudaram a pagar as viagens de Werritty e a canalizar cerca de 147 mil libras (cerca de 167 mil euros) para uma empresa gerida por este empresário.

Adam Werritty, de 34 anos, é amigo de Fox e foi seu padrinho de casamento. Segundo vários jornais britânicos, os dois encontraram-se em pelo menos 18 viagens oficiais de Fox e Werritty apresentou-se sempre como seu conselheiro.

Numa carta que enviou ao ex-ministro da Defesa, em resposta ao seu pedido de demissão, Cameron sublinhou o facto de Fox ter levado a cabo “mudanças fundamentais no ministério da Defesa e nas forças armadas britânicas que garantem que estão completamente equipadas para enfrentar os desafios da era moderna”. Destacou o seu “papel crucial” na operação na Líbia “para parar o massacre do povo pelo regime de Khadafi” e no Afeganistão, onde se encontram actualmente cerca de 10 mil militares britânicos. Cameron e Fox são protagonistas de uma rivalidade antiga que, em 2005, passou pela disputa da liderança do Partido Conservador.

Jim Murphy, o porta-voz para a área da Defesa do Partido Trabalhista, líder da oposição, considerou esta demissão “inevitável” e adiantou: “O ministro da Defesa deve centrar-se inteiramente nos seus deveres públicos”. Mas a saída de Fox não deverá criar desestabilização na coligação de conservadores e liberais democratas que governa o Reino Unido, consideram vários analistas.

“É um problema para a direita do partido Conservador”, disse à Reuters Wyn Grant, professor de política da Universidade de Warwick. “Mas não penso que tenha grande efeito na coligação. É um embaraço para o Governo, não ajuda à sua reputação, mas não altera fundamentalmente o jogo.”

As notícias publicadas na imprensa britânica sobre Fox ao longo das últimas semanas “deitaram abaixo a imagem do Ministério da Defesa aos olhos internos e da comunidade internacional”, sublinha Charles Heyman, analista britânico especialista em questões de defesa. “E com uma guerra a decorrer no Afeganistão, o ridículo é coisa de que os soldados no terreno não precisam.”

Defensor dos valores tradicionais no seio do Partido Conservador britânico, Fox, de 50 anos, tem sido considerado o rosto da facção mais à direita do Governo de Cameron. Em Setembro, a sua festa de aniversário contou com a participação da antiga primeira-ministra Margareth Tatcher, ainda que sejam cada vez mais raras a presença em público da “Dama de ferro”.

Médico de formação – Fox licenciou-se na Universidade de Glasgow em 1983 e chegou a exercer medicina até se dedicar inteiramente à política quando foi eleito deputado em 1992 –, defendeu por diversas vezes posições cépticas em relação à Europa, tendo se oposto ao Tratado de Maastricht em 1992. Chegou a ser subsecretário de Estado dos Negócios Estrangeiros em 1996 e encarregou-se da área da Defesa no Partido Conservador enquanto este esteve na oposição, tornando-se o nome mais óbvio para assumir esta pasta quando Cameron chegou ao poder, em 2010.

Rótulos deste artigo

Reportar Erro

Caso tenha detectado algum tipo erro por favor descreva-o.