Planeta Terra Versão 2.0

A certeza absoluta é um privilégio das mentes não-educadas e dos fanáticos

Cassius Keyser (1862 ~ 1947)

Pub

Doações

Saldo Acumulado: 0 EUR

Só é possível continuar a fazer este trabalho graças à sua generosidade.

Se considera que a informação aqui disponibilizada tem relevância para si e pretende fazer uma doação, por favor faça uma que esteja dentro das suas possibilidades financeiras.

Saiba como

Últimos Artigos

Globo
Portugal
Dinheiro
Ciência e Tecnologia
Conflitos Mundiais
Big Brother
Tirania
Fenómenos
Pub

Pássaros e peixes mortos alastram-se pelo planeta

ArtigoComentários (0)
Foram encontradas cerca de 100 toneladas de sardinhas mortas em Paraná, no Brazil

Nos últimos dias têm sido publicadas notícias sobre peixes e pássaros que morreram em massa no Arkansas. Apesar destas mortes ocorrerem esporadicamente, a população está a ficar preocupada por estarem a morrer peixes e aves em grandes números no Brasil, Nova Zelândia, e mais outros países e estados dos EUA.

Uma notícia publicada no diário Público refere que tanto em Oregon como na Califórnia, em Novembro, apareceram mortos mais de 2000 fumlares (Fulmarus glacialis) que são «aves marinhas parecidas com gaivotas-argênteas» e que ainda não desconhecidas as razões.

Dia 29 de Dezembro, estava a começar a ser reportado às autoridades locais do Arkansas, que inúmeros peixes estavam a boiar no rio, perto de uma barragem em Ozark.

Apesar deste fenómeno ser algo que acontece pontualmente, ainda não foi possível concluir qual a causa das cerca de 100.000 mortes, dado que apenas uma única espécie foi atingida - o peixe-tambor.

Na véspera da passagem-de-ano, dia 31, a 125 milhas leste de onde surgiram os peixes mortos, começaram a chover pássaros mortos, em Beebe, Little Rock. As espécies atingidas foram os pássaros tordo-sargento e os estorninhos e estima-se que os cadáveres das aves ultrapassem os mil.

A cerca de 300 milhas de onde morreram os pássaros, no estado Louisiana, em Point Coupee Parish, foram também encontrados cerca de 500 pássaros mortos. As espécies atingidas são idênticas às de Little Rock e o incidente terá ocorrido esta Terça-feira.

Ainda na Terça-feira,  dois milhões peixeis morreram na baía de Chesapeake, em Maryland - nos EUA. Entre as espécies afectadas encontram-se as corvinas, e não savelhas - que são "parentes" da corvina -  como noticiado inicialmente. No estado do Kentuchy, foram também encontradas cententas de pássaros mortos, sendo que desta vez o fenómeno atinguiu mais espécies: Grackles; Cowbirds(Molothrus ater); Estorninhos(Sturnidae); Tordos-Sargento (Agelaius Phoeniceus) e Tordos.

Em Itália, um dia depois, ou seja, Quarta-feira, foram encontradas centenas de rolas Faenza e estimam-se que «cheguem aos 8000 ou mais». Segundo uma testemunha «as rolas simplesmente começaram a cair, uma por uma e depois em grupos de dez ou 20»

No Brasil, desde dia 30, que inúmeros peixes têm aparecido mortos. Segundo a Federação das Colónias de Pescadores do Paraná, os peixes mortos já atingiram as 100 toneladas e o mesmo está a acontecer noutras regiões do país. Entre os peixes mortos, predomina a  sardinha que corresponde a mais de 99% dos peixes mortos. Os menos de 1% são bagres e corvinas.

Na Nova Zelândia, o mesmo está a suceder, se bem que há uma particularidade: muitos dos peixes apareceram mortos sem olhos!

Da Suécia surgiu hoje a notícia de que na passada Terça-feira, dia 4, caíram entre 50 a 100 gralhas - umas espécie da família do corvo - do céu. O veterinário da região - Robert ter Horst - diz que também recebeu informações sobre pombos, mas considera que os incidentes não estão relacionados dada a rapidez com que tudo aconteceu.

No Reino Unido, apareceram 40 mil carangueijos mortos nas praias de Kent.


Veja no mapa todos os casos de mortes de pássaros e peixes.


A razão para as mortes dos peixes variam consoante a região
Em relação aos peixes no rio do Arkansas, segundo Keith Stephens, porta-voz da Comissão de Caça e Pesca do Arkansas, pensar tratar-se de uma doença:

«Parece que pode tratar-se de uma doença, porque só afectou uma espécie. Não acreditamos que seja ambiental, porque teriam morrido muitos mais peixes»

Em Maryland, a explicação de Dawn Stoltzfus, a porta-voz do Departamento do Meio Ambiente, é que os dois milhões de peixes mortos devem ter entrado em stress devido às baixas temperaturas do rio.
Entretanto foram recolhidas várias amostras dos peixes mortos mais jovens, mas Dawn não espera grandes resultados:

«A maioria dos peixes, senão todos, podem estar demasiado decompostos para se esperarem resultados siginifcativos.»

No Brasil, Camila Domit, bióloga do Centro de Estudos do Mar, avança com quatro possíveis explicações para o sucedido.

«A primeira envolve um possível aumento na concentração de algas que produzem toxinas. Esse aumento pode levar algumas espécies à morte, tal como a sardinha xingó.»

De acordo com a bióloga e segundo as primeiras amostras recolhidas existem níveis elevados de toxinas na água. A concentração pode ser causada por mudanças de temperatura ou correntes marítimas. A segunda hipótese pode ter a ver com o derrame de um produto químico na água.

«Essa sardinha vive bem próxima à superfície. Por isso, o possível produto (amônia) pode ter atingido apenas as sardinhas xingó»

A terceira hipótese é atribuida a uma eventual doença ou patologia.

«Chegamos a ver outras espécies mortas, mas elas não chegam a 1% do total. Por isso consideramos que a mortandade foi pontual»

A quarta e última hipótese avançada por Camila, é que se trata de um navio de pesca que despejou a carga.

«Trata-se de uma sardinha de tamanho pequeno e bastante semelhante entre si. Um peixe desse tamanho não venderia bem.»

Para o presidente da Federação das Colônias de Pescadores do Paraná alguém está a querer culpar os pescadores:

«Alguém está inventando essa suposição. Os peixes que morreram são da nossa baía. Estão querendo colocar a culpa nos pescadores, que já estão sofrendo muito com essa situação»

Na Nova Zelândia, a explicação que foi dada a um dos habitantes foi que os peixes morreram à fome por causa das condições meteorológicas.


As explicações para a morte das aves também divergem

Para Karen Rowe, ornitóloga estatal do Arkansas, o facto dos pássaros apresentarem sinais de traumas físicos pode estar relacionado com as condições meteorológicas adversas: «O bando pode ter sido atingido por granizo ou relâmpagos a grande altitude». Para Karen a possiblidade de envenenamento está descartada, e explica ainda que situações como estas já aconteceram anteriormente, e que os resultados «normalmente não são conclusivos».

No Louisiana, os exames mostram que os pássaros sofreram várias lesões internas que formaram coágulos de sangue mortais.
Thurman Booth, director estatal dos serviços da natureza, não acredita que se venha a descobrir a causa das mortes:

«Provalvemente há uma razão física, mas duvido que algum dia alguém vá descobrir o que foi».

Na opinião de Dan Cristol, professor e co-fundador do Instituto para Estudos sobre Comportamentos Integrativos das Aves, no Colégio de William & Mary, aponta para a hipótese dos passáros estarem doentes ou de se terem assustado, e ao fugir, terem embatido nos cabos elétricos. A teoria do fogo-de-artíficio, para Cristol não tem muito sentido a não ser que «alguém tenha rebentado qualquer coisa no poleiro, e ter mandado literalmente os pássaros pelo ar.»

No Kentuchy, o cenário é ligeiramente diferente. Em declarações à FOX 41, Mark Marraccini, porta-voz do Departamento de Pesca e Natureza do Kentuchy, diz que não qualquer indício sobre o que poderá ter causado a morte dos pássaros.

«[Eles] fizeram um exame toxicológico completo e necropsia e  não havia veneno, nehuma doença, nenhum trauma. De facto não havia nada que eles pudessem indicar que causasse as mortes.»

Na Suécia, a justificação dada pelo veternário local Robert ter Horst - apesar de ainda não ter feito qualquer autópsia -  é que os pássaros entraram em stress por causa do fogo-de-artifício e foram atropelados.

«Na noite passada recebemos informações dos habitantes locais. A nossa teoria principal é que os pássaros assustaram-se devido ao fogo-de-artifício e aterraram na estrada, mas não conseguiram levantar vôo devido ao stress e foram atingidos pelos carros»

Anders Wirdheim, da Sociedade Ortinológica da Suécia, acha que o mais provável é que os passaros se tenham assustado durante a noite e ao esvoaçarem colidiram com vários objectos.

«As gralhas passam a noite nas árvores em grande bandos. Se estiverem assustados, centenas de pássaros podem levantar vôo de uma só vez.»

Anders sublinha ainda que as espécies afectadas nos EUA também passam a noite em grandes bandos, acrescentando que a situação chegou onde chegou porque as aves estão enfraquecidas.

«Este inverno foi particularmente duro e as gralhas podem estar em más condições. Isso faz com que eles voem contra vários objectos mais facilmente. Há muito pouca comida na natureza comparativamente aos anos anteriores e vejo pássaros a morrer todos os dias».

A explicação para a causa das mortes, se vier a acontecer, ainda deve demorar dado que ainda existem outras mortes por explicar como por exemplo:
 - A morte de 800 corvos-marinhos e gaivotas que foram encontrados entre 29 e 6 de Agosto, Lago dos Bosques, no Minnesota;
 - A morte de mais de 2500 fumlares em Oregon e na Califórnia;
 - A morte de 50 patos-reais, patos-trombeteiros e piadeiras-americanas em 9 de Dezembro.

Reportar Erro

Caso tenha detectado algum tipo erro por favor descreva-o.