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Mario Draghi assume hoje presidência do BCE

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Mario Draghi substitui Trichet na liderança do BCE.

O Banco Central Europeu tem novo presidente a partir de hoje, em plena crise da dívida soberana e a dois dias da primeira reunião do conselho governativo da instituição.

O italiano Mario Draghi sucede a Jean-Claude Trichet à frente do banco com sede em Frankfurt, numa altura em que o BCE tem estado no centro das atenções por diversos motivos, desde o seu papel no Fundo Europeu de Estabilização Financeira, passando pelo envolvimento na compra de títulos da dívida de países em dificuldades e pelo corte (ou manutenção) das taxas de juro.

Dificilmente Draghi poderia escolher semana mais intensa para entrar em funções, dias depois das maratonas negociais que procuraram acalmar os mercados em resposta às necessidades de Atenas e antes de uma primeira reunião do conselho governativo do Banco Central Europeu (BCE) sob Draghi, que coincide com o primeiro dia da cimeira do G20, que começa quinta-feira e decorre até sexta em Cannes, França.

Uma antiga responsável de investigação do BCE, Lucrezia Reichlin, disse ao Financial Times que Draghi é "um banqueiro central conservador por convicção, mas também tem consciência de que no momento em que for visto como um italiano fraco, está morto".

Por seu lado, o professor universitário Paul De Grawe explicou ao jornal britânico que o seu medo é que Draghi "sucumba à pressão psicológica vinda do facto de um italiano ter de anunciar em Frankfurt que é necessário que o BCE se comprometa profundamente com a compra de títulos italianos".

Num discurso em Roma, na semana passada, Draghi afirmou que "o eurosistema está determinado, com as suas medidas não convencionais, a evitar que o mau funcionamento dos mercados monetários e financeiros obstaculize as transmissões monetárias".

Segundo Draghi, "todas as medidas não convencionais adoptadas em resposta às tensões financeiras são, pela sua natureza, temporárias", sendo "essencial assegurar a estabilidade dos preços", numa referência ao objectivo fundamental do BCE, de manter a inflação próxima dos dois por cento.

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