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Martin Luther King (1929 ~ 1968)

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Gaza: os EUA foram a 'cheerleader' do massacre

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Destruição em Gaza depois de ataque israelita. Foto de Physicians for Human Rights - Israel

Documentos da WikiLeaks sobre o ataque violento a Gaza mostram com clareza que o governo dos EUA é pouco mais do que uma criada da máquina militar israelita.

O Counterpunch teve acesso ao ficheiro da Wikileaks sobre o assalto de Israel a Gaza há cerca de dois anos (Operação Chumbo Fundido, de 27 de Dezembro de 2008 até 18 de Janeiro a 2009). Embora os telegramas sejam várias vezes apenas uma repetição das reportagens da imprensa israelita, dando poucas novidades sobre o ataque em si ou sobre o seu planeamento, mostram com uma clareza atroz que o governo dos EUA é pouco mais do que uma criada ou um amanuense da máquina militar israelita.

Os documentos tornam claro, se maior clareza fosse necessária, onde exactamente é que os EUA se posicionam no que toca ao ataques não-provocados de Israel contra os palestinianos e outros vizinhos árabes. Não obstante a Operação Chumbo Fundido tenha ocorrido nos últimos dias da administração Bush, terminando dois dias antes da tomada de posse da Barack Obama, cada uma das políticas que este adoptou nos dois anos seguintes – incluindo a rejeição do Relatório Goldstone que descrevia as atrocidades e os crimes de guerra cometidos durante a Operação – demonstram uma incrível continuidade no apoio às acções israelitas.

Os documentos fornecem ainda um relato tendencioso do assalto. Uma vez que as notícias diárias são retiradas em primeiro lugar dos média israelitas, os documentos enumeram os rockets disparados para Israel a partir de Gaza e descrevem dramaticamente “as bonecas queimadas e os brinquedos das crianças destruídos” num jardim-de-infância desocupado em Beer Sheba que foi atingido por um rocket, mas não fazem qualquer menção aos intensivos bombardeamentos aéreo e terrestre de Gaza, incluindo contra a sua população civil. Até os média ocidentais levaram a cabo uma cobertura mais correcta das vítimas palestinianas do que isto.

Os telegramas da embaixada dos EUA forneceram alguma informação sobre as vítimas palestinianas, mas de forma mínima. Num papel enterrado na colecção, de aproximadamente dez dias depois do início do assalto, a imprensa ocidental é citada dando conhecimento da morte de 530 palestinianos. Isto aconteceu quando os papéis declaravam que cinco israelitas tinham sido mortos. As vítimas israelitas foram contadas repetidamente. Este rácio de cerca de 100-1 entre as vítimas palestinianas e as vítimas israelitas persistiu durante a operação, porém, não foi notado pelos telegramas dos EUA. Em alguns momentos, os representantes consulares norte-americanos descreveram o ponto de vista de alguns cidadãos de Gaza, sublinhando o desespero palestiniano. Ainda assim, quando um dos cidadãos declara que a sua cidade está a ser atacada cada vez mais intensivamente por fogo israelita, os documentos qualificam este testemunho referindo-se “àquilo que ele apelida de fogo israelita 'indiscriminado'”.

Sempre que um documento menciona uma localização específica em Gaza que sofreu um ataque ou foi destruída, incluindo hospitais e mesquitas, repetem as alegações israelitas sem questioná-las; no dia 2 de Janeiro, por exemplo, é relatado que a Força Aérea de Israel destruiu uma mesquita que “alegadamente servia como um depósito de armas e como um centro de comunicações.” A embaixada relata, sem um pingo de cepticismo, a alegação de Israel, a meio da operação, de que os operacionais do Hamas foram reconstruindo “certas capacidades de comando e controlo” no hospital Shifa em Gaza, disfarçando-se de médicos e enfermeiras.

Os primeiros telegramas desta colecção revelam a tendência dos EUA ao contarem, vários dias antes da Operação Chumbo Fundido, que a pressão para uma “resposta” aos ataques de rockets a partir de Gaza tinha vindo a intensificar-se “desde que o Hamas anunciou o fim do acordo de trégua 'tahdiya' no dia 19 de Dezembro.” Este esforço por colocar a responsabilidade pelas hostilidades no Hamas ignora o facto, o qual não era segredo para aqueles que vinham a seguir a situação, de que foi Israel quem violou a trégua, que estava em vigor desde Junho anterior, no dia 4 de Novembro quando foi lançada uma incursão não-provocada em Gaza que matou vários palestinianos. A decisão do Hamas de terminar a trégua semanas depois foi uma resposta à violação de Israel.

A evidência mais óbvia da parcialidade dos EUA – e o único momento de análise ou conselho político nesta colecção de papéis – surge ainda antes de a operação começar. “A nossa recomendação”, escreve o Embaixador James Cunningham no dia 22 de Dezembro, “é que comecem a colocar as culpas no Hamas pela ilegitimidade do seu governo em Gaza, pela sua política de disparos ou por autorizar outras facções a disparar rockets e morteiros contra alvos israelitas, e pela sua decisão de acabar o período calmo de 'tahdiya'”. Cunningham parece confundir causa e efeito: mesmo que o Hamas governasse ilegitimamente, o que não o faz – o Hamas foi eleito democraticamente três anos antes – não é uma percepção comum a de que a ilegitimidade política justifica um assalto militar massivo. Cunningham continua até recomendar o apoio ao “direito de Israel se defender a si próprio.” Aparentemente, o Hamas não tem direito a defender os cidadãos de Gaza do ataque israelita.

A Embaixada limpa a sua consciência ao “enfatizar a nossa preocupação pelo bem-estar de civis palestinianos inocentes e a prontidão dos EUA para fornecer ajuda humanitária.” Esta é a única vez em que se mencionam os civis palestinianos inocente em toda a colecção de telegramas.

A hipocrisia é alarmante. Obviamente, a parcialidade dos EUA aqui demonstrada não é um fenómeno novo. Mas aqui está, preto no branco, – ou mais acertadamente, em risca de giz: diplomacia como cheerleader pelo massacre e genocídio (um termo por não muitos judeus e outros comentadores durante o ataque de Gaza). Tais atrocidades estão bem perante os olhos dos EUA se forem cometidas por Israel, mas ao Hamas não é permitido.

Fonte: esquerda

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