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Actor israelita Juliano Mer-Khamis assassinado na Palestina

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O actor recebeu vários ameaças de morte durante a sua carreira

Assassinado à queima-roupa por homens encapuzados à frente do filho de um ano. Foi este o desfecho da vida de Juliano Mer-Khamis, o actor árabe-israelita de 53 anos, considerado um símbolo da luta pela causa palestiniana.

Perto do teatro que ele próprio fundou, num campo de refugiados na cidade de Jenin, na Palestina, Mer-Khamis foi, nesta segunda-feira, atingido cinco vezes por tiros de militantes de cara tapada. As circunstâncias do seu assassinato estão a ser investigadas pelas forças de segurança israelitas e o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, já condenou o acto, sublinhando a necessidade de levar à justiça os responsáveis pela morte do actor.

Nascido e criado em Nazaré, no Norte de Israel, Juliano Mer-Khamis era filho de mãe judia israelita, defensora acérrima dos direitos dos palestinianos, e de um pai cristão palestiniano, que liderou o partido comunista em Israel. Fruto de um casamento israelo-árabe - numa terra em que a relação entre as duas populações é de conflito - Mer-Khamis absorveu das suas origens a preocupação com os dois povos, entre os quais afirmava querer ser uma ponte.

Ficou conhecido por ser actor, realizador e activista político, mas principalmente por defender uma “intifada cultural”, que acreditava ter mais sucesso do que uma acção violenta. Nas últimas décadas, Mer-Khamis tornou-se um dos maiores críticos da política israelita face aos palestinianos.

Mas a sua determinação e coragem de dizer o que pensava, valeram-lhe ameaças desde o começo da sua carreira. Acusado de “traição” por ser filho de mãe judia israelita e de “corrupção moral” por desencaminhar os jovens de Jenin com obras de teatro em que se “atrevia” a misturar no mesmo cenários rapazes e raparigas, Mer-Khamis viu o seu teatro incendiado por duas vezes e passaram-lhe pelas mãos folhetos redigidos e distribuídos por islamitas radicais que o ameaçavam de morte. “Se as palavras não o convencem, devemos usar a linguagem das balas”, advertiram os fundamentalistas.

“Seria muito triste se, depois de tudo o que fiz pelos jovens do campo de refugiados de Jenin, fosse morto por uma bala palestiniana”, disse o actor a um jornalista do “El Mundo” na altura em que viu os folhetos.

A morte de Mer-Khamis fez levantar um coro de vozes, chocados com a violenta morte de um homem e com o silenciar de uma opinião diferente.

Entre outras classificações, Juliano Mer-Khamis é descrito como um “grande apoiante do povo palestiniano”, “um fantástico actor, um ser humano extraordinário”, e todos os que lamentam a sua morte sublinham a sua persistência e convicção.

Para Michael Handesaltz, crítico do Haaretz, que trabalhou com Mer-Khamis, a sua morte faz parte da “realidade trágica do seu país” e ele foi “outra vítima da vida no Médio Oriente”.

Avi Nesher, realizador de um dos filmes em que Mer-Khamis entrou, frisou a ironia do fim do actor: “É tão irónico que ele tenha sido morto por uma série de tiros, na vida real tal como num filme”.

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