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Israel testa míssil quando sobe o tom da especulação sobre eventual ataque ao Irão

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Irão nega que o seu programa nuclear tenha objectivos militares e promete resposta a qualquer ataque

Foto: Reuters/ Morteza Nikoubazl

Fumo a subir pelo ar no centro de Israel assinalava um teste de míssil, o culminar do que foi uma semana de especulação crescente no país sobre a possibilidade de um ataque à República Islâmica. A manchete do diário de grande circulação Yediot Ahronot garante que o primeiro-ministro prepara secretamente um ataque ao Irão contra a opinião mais cautelosa dos responsáveis de segurança.

Enquanto isso, também no Reino Unido militares falam de um acelerar de planos para assistência a um eventual ataque dos EUA ao Irão, segundo o diário britânico The Guardian. Tudo isto quando a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA, organismo da ONU para o nuclear) se prepara para lançar um relatório sobre as capacidades do Irão em que deverá “apontar para a dimensão militar do programa nuclear, sem dizer explicitamente que Teerão está a tentar obter estas armas”, segundo a agência Reuters.

Responsáveis israelitas desmentiram qualquer ligação do teste com uma acção contra as centrais iranianas, queixando-se de irresponsabilidade dos media, em que defensores de uma ofensiva e opositores foram esgrimindo argumentos – a favor porque mais ninguém se irá encarregar da defesa do Estado hebraico e contra porque uma operação implicaria possíveis perdas pesadas (vários pilotos poderiam ficar reféns de Teerão) sem garantia de resultados (grande parte da tecnologia iraniana estará debaixo do solo).


Manobra política?
Raviv Drucker, comentador do Canal 10 da televisão israelita, viu na conjunção de especulação mediática e do teste do míssil um modo de Israel pressionar os poderes mundiais a uma acção mais firme contra o Irão após a publicação do relatório da AIEA. Mas também antecipou uma possível vantagem de política interna: Benjamin Netanyahu aparece como o responsável que quer agir contra a ameaça iraniana, mas que é forçado a conter-se por pressão dos seus chefes de segurança. A Reuters lembra ainda que dois ataques de Israel contra instalações nucleares no Iraque (1981) e na Síria (2007) não foram precedidos de qualquer debate mediático.

Não foram dados muitos pormenores sobre o teste do míssil, apenas que se travava de um “míssil balístico”, um termo que, segundo a Reuters, normalmente se refere a mísseis de longo alcance com capacidade para levar ogivas. “Este é um impressionante feito tecnológico e um passo importante no avanço israelita no âmbito de mísseis e do espaço”, disse o ministro da Defesa, Ehud Barak, num comunicado.

O Irão reagiu dizendo que qualquer acção israelita terá resposta. “Os Estados Unidos sabem que qualquer ataque do regime sionista contra o Irão provocará danos graves não apenas contra esse regime mas também contra os Estados Unidos”, afirmou o general Hassan Firuzabadi, citado pela agência iraniana Fars. “Como militares, consideramos qualquer ameaça como séria, mesmo que a sua probabilidade seja longínqua. Estamos preparados.”

O Irão nega que o seu programa nuclear tenha objectivos militares. Mas, a par do novo relatório da AIEA a apontar nesse sentido, os países ocidentais têm registado o que chamam uma “nova agressividade” de Teerão, com “provas convincentes” de que a República Islâmica esteve por trás da morte de um diplomata saudita no Paquistão e foi ainda responsável pelo plano, descoberto no mês passado, de assassinar o embaixador saudita nos EUA.

Falando sobre o aumento de preparação dos militares britânicos, o Guardian diz também que o regime iraniano se mostrou surpreendentemente capaz de driblar as sanções que lhe têm sido aplicadas por causa do programa nuclear. E ainda que seja claro que o Presidente norte-americano não queira embarcar numa aventura militar destas antes das eleições do próximo ano, um aumento de ansiedade causada por informação sobre o programa junto com esta nova postura de Teerão poderão mudar a equação.

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