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Rebeldes que capturaram Khadafi recordam os seus últimos minutos de vida

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A arma que Khadafi empunhava no momento em que foi capturado

Foto: Reuters/ Thaier al-Sudani

Omram Yuma Shaban assume pose de guerrilheiro para a fotografia, empunhando o valioso espólio: as duas pistolas que Muammar Khadafi trazia quando foi capturado. Dez dias depois da tomada de Sirte, o estudante de engenharia recorda com orgulho o momento em que desarmou o ditador líbio, mas os minutos que se seguiram – captados em confusos registos de telemóvel – são a imagem de um país sedento de vingança, um veneno que se espalhou com rapidez.

“Eu vi que os guardas [de Khadafi] estavam a deitar as armas ao chão, mas alguns ainda estavam armados e podiam disparar. Então, avancei sobre Khadafi e tirei-lhe uma das pistolas, a que não é de ouro. Não sei como tive força”, conta o franzino combatente ao enviado do El País, rodeado por outros elementos do grupo que na manhã do dia 20 encontrou o coronel escondido numa conduta de escoamento de águas.

Estavam a patrulhar a zona quando souberam que a NATO bombardeara uma coluna de veículos em fuga. Os que sobreviveram puseram-se em fuga, disparando contra os guerrilheiros vindos no seu encalço, mas depois de “duros combates” muitos renderam-se. Alguém gritou “o nosso líder está aqui”, mas Salem Bakir, outro membro da patrulha, diz que nunca pensou que pudesse ser Khadafi. “Quando o vi, ele já estava fora da conduta, a uns metros de mim. Fiquei paralisado. Mas toquei no Corão que tinha no bolso e isso deu-me forças para gritar: ‘Khadafi está aqui’”, contou ao jornal espanhol o empregado de hotel, que tal como Omran veio de Misurata para vingar o cerco do regime à cidade.

O grupo revela pouco sobre o que aconteceu depois, dizendo apenas que Khadafi parecia confuso – “O que se passa? O que se passa?”, terá perguntado aos captores – e que foi rapidamente rodeado pelos rebeldes que acorreram ao local. Nas imagens captadas por alguns deles é possível vê-lo a ser esbofeteado e arrastado, e na Internet circulam vídeos em que dois guerrilheiros se vangloriam de o ter matado.

A edição online desta semana da revista alemã Der Spiegel citava o médico que assinou a certidão de óbito, segundo o qual o ditador morreu devido a uma hemorragia cerebral causada por um ferimento na cabeça. “Não sabemos se foi uma bala ou o fragmento de uma granada”, disse Abu Bakr Traina. O projéctil não terá sido encontrado.

O Governo transitório prometeu uma investigação, mas poucos esperam resultados até porque, como conta o El País, “é muito difícil encontrar quem preferisse que o ditador tivesse sido julgado”.

Na “Líbia libertada” é a justiça pelas próprias mãos que vai fazendo caminho. Às suspeitas de execuções sumárias em Sirte, somam-se represálias contra as cidades que estiveram quase até ao fim ao lado de Khadafi. A Human Rights Watch denunciou que milícias de Misurata estão a “aterrorizar” habitantes que fugiram da localidade vizinha de Tawarga. A Reuters noticiou que da cidade partiram também brigadas que são suspeitas de terem detido e torturado jovens em Jemel, pequeno entreposto no deserto. E em Bani Walid, a poderosa tribo Warfala está já a organizar milícias para se defender dos rebeldes vindos de Zauia (Oeste). “É preciso desarmar estes gangs que estão a transformar-se em criminosos”, lamentou-se Hussein Silian, um beduíno de Jemel que acusa os rebeldes de lhe terem matado o filho.

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