Planeta Terra Versão 2.0

Enquanto seres-humanos, a nossa grandeza não reside tanto em sermos capazes de refazer o mundo — esse é o mito da idade atómica — como em sermos capazes de nos refazermos.

Mahatma Gandhi (1869 ~ 1948)

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Os principais actos de terrorismo de Gaddafi

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Golfo de Sirte

Muammar al-Gaddafi é conhecido essencialmente por actos de terrorismo; "Mad Dog do Médio Oriente"; Patrocinador do Terrorismo e mais uma série de outros rótulos que o fazem parecer um vilão-internacional. No entanto, se se investigar minimamente os motivos pelos quais ele é constantemente demonizado, fica a saber-se que a maldade não partiu dele, mas sim dos "eternos libertadores".

Com todo o mediatismo e papagueamento que tem havido desde o início da chamada "revolta líbia", muitos desconhecem que a Líbia era o país africano cujo Índice de Desenvolvimento Humano era o mais elevado e o quanto Gaddafi fez pela Líbia. E não foi só pela Líbia. Também por África, mas já lá iremos. Primeiro vejamos como é que Gaddafi se tornou no  "Mad Dog do Médio Oriente".

Em 1973, pouco depois de Gaddafi ter ido para o poder, entendeu que as fronteiras líbias não estavam bem delimitadas pelo que reclamou mais um bocado de território na área limítrofe do Golfo de Sidra/ Sirte.

Houve alguma controvérsia em torno dessa questão, mas à excepção dos EUA, nenhum país teve grandes problemas com isso. Como tal, o presidente norte-americano Richard Nixon, como quem não queria arranjar problemas, decidiu que o exército estava à vontade para fazer os exercícios navais que entendesse naquelas águas — como fazem com a Coreia do Norte.

Como seria de esperar, o exército líbio pôs dois aviões de combate Mirage no ar até que interceptaram um C-130 norte-americano.  Os líbios fizeram-lhe sinal para os acompanhar até a uma base, mas o piloto não obedeceu. Fez uma manobra evasiva e os líbios, segundo dizem os americanos, responderam com disparos, mas sem atingirem o C-130 que conseguiu esconder-se nas nuvens e fugir.

Independentemente desta história se ter passado assim ou não, o que é certo é que qualquer pessoa com um pouco bom-senso ou que não goste de confitos, não voltaria a fazer o mesmo. Mas pronto, isso são pessoas de bom-senso. E pessoas de bom-senso são pessoas de bom-senso, e os americanos são os americanos. Por isso é que em 1980, com Jimmy Carter na presidência, a história voltou a repetir-se. A única coisa que mudou, foi que dessa vez o avião em questão era um avião de reconhecimento, e que a Líbia já era considerada pelos EUA como um estado patrocinador de terrorismo.

Ronald ReaganEm 1981, já oito anos depois da Líbia ter reclamado a extensão do território marítimo e dos incidentes anteriores, o presidente Ronald Regan, volta a autorizar novos exercícios militares com dois porta-aviões na mesma zona. O incidente acabou com dois aviões líbios abatidos.

Em Março de 1986, o mesmo presidente, que esteve no poder até 1989, voltou a autorizar mais exercícios. O resultado, foi o desejado — mais um conflito armado. Do lado dos norte-americanos, não houve nenhuma baixa. Do lado dos líbios morreram cerca de 35 marinheiros.


Atentado à bomba na Alemanha
Cerca de duas semanas depois desse combate, na Alemanha, há um atentado à bomba numa discoteca — a discoteca La Belle — do qual resultaram três mortos — dois americanos e uma turca — e cerca de 230 feridos. Entre os feridos, 79 eram americanos. Os suspeitos: um líbio, dois palestinianos e duas alemãs.

Discoteca La BelleAs culpas, como seria de esperar, recaíram sobre a Líbia por se pensar que se tratava de uma retaliação e porque tinham sido interceptados telexes enviados da Líbia para a embaixada líbia na Alemanha, a dar os parabéns pelo trabalho bem feito. 

Acontece que o ex-agente da Mossad, Victor Ostrovsky, revela num dos seus livros que a Mossad em Fevereiro desse ano levou a cabo uma operação — a Operação Tróia — que tinha como objectivo plantar um sistema intercepção de comunicações em território líbio para poderem enviar mensagens de Tripoli e "provar" que o terrorismo era patrocinado por Gaddafi.

Victor diz que quem estivesse a escutar as comunicações teria a certeza que estava a interceptar mensagens genunínas.

No entanto, é preciso ter em conta, que na sequela do livro, o autor diz ter desinformado propositadamente os leitores em algumas questões para se a proteger da Mossad. Assim, caso a agência o perseguisse ele revelaria tudo o que sabia. Por essa razão e dadas a relações íntimas entre Israel e os EUA, é muito possível que os EUA soubessem que estavam a interceptar comunicações falsas.

Passados 10 dias, já com o pretexto que a administração Ronald Regan precisava para atacar a Líbia, foi lançada uma operação de retaliação — a chamada "Operação El Dorado Canyon" — na qual um conjunto de 160 aviões largou mais de sessenta toneladas de bombas em Tripoli e Benghazi. Nesse ataque nocturno, para além dos danos em infra-estruturas militares e civis, incluindo a casa de Gaddafi, morreram também mais de 60 pessoas, civis e militares, homens, mulheres e crianças. Uma das vítimas mortais foi a filha adoptiva de Gaddafi — Hanna Gaddafi — que tinha apenas 18 meses. Entre as dezenas de feridos civis, estavam também dois filhos de Gaddafi — Saif al-Arab e Khamis Gaddafi .

A França, que tal como a Espanha não acreditou nas tais comunicações, não permitiu que o espaço-aéreo francês fosse utilizado para atacar a Líbia. Coincidência ou não, a embaixada francesa na Líbia também foi bombardeada. Veja o vídeo mais abaixo.

Será que depois dos EUA terem perpetrado este acto de terrorismo se sentiram, digamos, retraídos, embaraçados ou envergonhados? De forma alguma. Em 1989, só para variar, para onde é que eles foram? Para o Golfo de Sirte. Fazer o quê? Exercícios militares. Os líbios, sentindo-se obviamente ameaçados meteram dois aviões no ar. Os americanos que podiam ter ido embora assim que captaram os aviões líbios no radar, preferiram abatê-los primeiro. Depois lá se foram embora.


Atentado na Escócia
Atentado de LockerbieAtentado de LockerbieAté hoje, um dos actos de terrorismo mais marcantes no Reino Unido foi "Atentado do Voo Pan Am 103", em 1988. Tudo aconteceu quando um avião, que transportava uma bomba a bordo, explodiu sobre a cidade de Lockerbie na Escócia.

A culpa foi atribuída a um líbio chamado Abdelbaset al-Megrahi que era chefe de segurança da linha aérea líbia e eventualmente um agente dos serviços secretos líbios. Porém al-Megrahi, não teve nada a ver com o assunto.

Como o objectivo deste artigo não é este atentado em específico, não vou estar a entrar em detalhes. Vou só dar alguns exemplos de como é que al-Megrahi foi incriminado. A restante informação, ou uma grande parte dela, pode ser consultada na galeria de vídeos deste artigo. Mas é preciso ter em mente que nesses dois documentários não estão contempladas todas as hipóteses.

Abdelbaset al-Megrahi A forma como ligaram o líbio ao atentado foi essencialmente através de um vestígio do temporizador da bomba. O temporizador tinha sido concebido por um suíço chamado Edwin Bollier que diz que a prova que incrimina al-Megrahi, foi manipulada e que na verdade o fragmento da placa de circuitos que foi apresentada, pertencia a um protótipo que ele estava a desenvolver. O seu empregado Ulrich Lumpert, que foi quem identificou o fragmento em tribunal, veio mais tarde dizer que mentiu; que se apropriou do protótipo na empresa de Edwin e que o deu a um «oficial que estava a investigar o caso de Lockerbie».

Edwin Bollier diz também que o FBI lhe ofereceu 4 milhões de dólares e uma nova identidade para que mentisse em tribunal (pode vê-lo dizer isto no 4º vídeo do segundo documentário). Para além disso, houve mais uma série de omissões, mentiras, contaminação de provas e muitas mais absurdidades. Mesmo assim, os juízes entenderam que al-Megrahi era o único culpado de um elaborado acto de terrorismo.

Dado que al-Megrahi era um suposto agente do governo líbio, foram impostas inúmeras sanções à Líbia, e solicitado o pagamento de  indeminizações aos familiares das vítimas.

Mesmo sabendo que al-Megrahi  não tinha nada a ver com o assunto, Muammar al-Gaddafi, aceitou pagar as indemnizações para poder sair do isolamento em que o país estava devido às sanções. Contudo, vários familiares que não ficaram convencidos de que al-Megrahi era o culpado não aceitaram o dinheiro

As restantes famílias dos 270 passageiros, receberam cada uma delas cerca de 8 milhões de dólares.

Gaddafi nunca admitiu a culpa, apenas a responsabilidade — um jogo de palavras para contornar as sanções que todos compreendem.

Em 1998, Gaddafi foi o primeiro a pedir um mandato para a captura de Osama Bin Laden e apesar de tudo o que passou com os EUA e com o Reino Unido, Gaddafi juntou-se a eles na "Guerra Global ao Terrismo" em 2004.

É verdade que ele se envolveu em guerras com o Chade, Niger, Uganda, Sudão, Sierra Leonoe e a República Democrática do Congo, mas dados os padrões pelos quais se rege a ONU, NATO, EUA, Reino Unido e França, Gaddafi não fez pior. A única diferença está nas intenções da "ajuda". E é isso que vamos ver no próximo artigo. Quando começarmos a ver o que é que Gaddafi fez por África e quais os seus planos para o futuro, tudo começará a fazer muito mais sentido.

Nelson Mandela e Muammar al-GaddafiNelson Mandela e Muammar al-GaddafiPara já, sobre África, pode-se adiantar que Gaddafi foi um dos principais responsáveis pelo fim do Apartheid. Ele não gosta de nada a que cheire a colon-ialismo, abuso de poder ou racismo, e enquanto o Reino Unido e os EUA se opuseram à resolução da ONU que condenava o ApartheidGaddafi apoiou o Congresso Nacional Africano (ANC na sigla em inglês) para o irradicar.

Hoje passa-se exactamente o mesmo em relação ao Apartheid israelita. Os imperialistas defendem-no, Gaddafi opõe-se. E aqueles que se manifestam contra a brutalidade e opressão de Israel são chamados anti-semitas.

Em 1982, Gaddafi fundou uma organização chamada The World Mathaba — O Mundo Mathaba. Mathaba significa "um lugar de reunião para pessoas com um propósito comum".

Nas conferências dessa organização eram convidados os revolucionários e "lutadores pela liberdade" de todos os cantos do mundo para que pudessem partilhar ideias e permitir aos revolucionários adquirir mais conhecimentos, treino e o apoio de Gaddafi.

Gerald Perreira, que viveu vários anos na Líbia e que foi membro executivo do World Mathaba, conta que Nelson Mandela, se referia a Gaddafi como o lutador da liberdade do século; que insistiu que o colapso do Apartheid se deveu muito ao apoio da Líbia; e que quando ele estava encostado à parede foi Muammar al-Gaddafi que se manteve do lado dele. Lyn Boyd-Judson, director do Instituto Levan de Ciências Humans e Ética da Universidade Sudeste da Califórnia, confirma. Citando Mandela, Boyd-Judson diz:

Aqueles que dizem que eu não devia estar aqui estão sem moral. Este homem ajudou-nos numa altura em que estavamos completamente sozinhos, quando aqueles que dizem que não devemos vir aqui estavam a ajudar o inimigo

Como iremos ver no próximo artigo, as conferências do World Mathaba serviram também para desenvolver ideias como pan-Arabismo e o pan-Africanismo, e foram também fulcrais para o desenvolvimento de África.

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