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O que é que Muammar al-Gaddafi fez pela Líbia?

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O apoio massivo a Muammar al-Gaddafi não é exclusivo da praça Ziltan, e muito menos por acaso.

Foto: Sky News

Antes de Gaddafi a Líbia era um país pobre e subdesenvolvido. Desde que Muammar al-Gaddafi foi para o poder, as coisas podem não ter ficado perfeitas, mas ficaram muito melhor. Hoje, ou melhor, até à agressão da NATO, o país era o mais rico e o país com o produto interno bruto mais elevado em toda a África. As regalias da população: inimagináveis.

Só para se perceber como é que apareceu o bicho-papão do Gaddafi é preciso rever muito rapidamente alguns pontos.

A Líbia era uma colónia italiana e declarou a sua independência em 24 de Dezembro de 1951. Assim, nasceu o Reino Unido da Líbia e o seu governador era o rei chamado Idris — uma monarquia portanto.

Em 1959, três anos depois de ter sido descoberta uma enorme jazida de petróleo, a sexta maior do mundo na altura, começou a exploração, e os respectivos lucros começaram a fazer da Líbia um país riquíssimo. Porém, o facto da riqueza estar praticamente toda nas mãos do rei e de haver um elevado índice de pobreza, e de haver uma forte presença italiana, britânica e americana na país, fez com que tenham começado a surgir facções.

É aí que surge Gaddafi. Aos 27 anos, no dia 1 de Setembro de 1969, Muammar al-Gaddafi destitui Idris através de um golpe-de-estado e assume o comando da Líbia.

O que é que o resto da população ganhou com isso? Muita coisa. Tem-se ouvido repetidamente que Gaddafi é um diatador brutal e que está há mais de 40 anos "agarrado ao poder".  Vejamos: Em 1970, Gaddafi começou a desempenhar funções de primeiro ministro, mas como o sistema político no seu entender tinha várias falhas, desinteressou-se e deixou o cargo para um membro do Conselho do Comando da Revolução Líbia — ao Major Abdel Salam Jallud. Depois dedicou o seu tempo a definir e a reflectir sobre a sua ideologia política até que compilou uma obra de três volumes intitulada "O Livro Verde" onde explica que a sua filosofia se baseia numa alternativa ao capitalismo e ao Marxismo e que deve haver uma democracia participativa directa, de forma a permitir aos líbios a auto-representação através do activismo sem terem que recorrer a instituições governamentais ou outras hierarquias organizacionais para se fazerem ouvir.

Antiga tenda líbiaAntiga tenda líbiaNo "Livro Verde" Gaddafi diz que a habitação é uma necessidade básica tanto do indivíduo, como da família. Como tal comprometeu-se a dar uma casa a todos os líbios que vivessem em tendas tal como os seus pais. Prometeu também que só quando todos os líbios tivessem um lar é que construiria uma para os seus pais. Acontece que o quando seu pai morreu ainda vivia numa tenda e só a sua mãe é que pôde ver o filho cumprir a promessa. Na Líbia, todos têm direito à habitação e por esta razão ninguém precisa de fazer empréstimos para ter uma casa. E mesmo que alguém queira fazer empréstimos na Líbia, a taxa de juro é de 0%, porque Gaddafi suspendeu a legislação implementada por Idris, e aplicou Lei Sharia onde o Riba ou o juro é estritamente proíbido. E isto, como iremos ver nos próximos artigos, é uma das principais razões para a invasão e agressão à Líbia. A criação de dinheiro livre de juros não é novidade. Houve pelo menos os Tally Sticks britânicos Greenbacks americanos — que foram removidos pelos cartéis da banca. Se ler o desenvolvimento da introdução da secção "O Futuro" perceberá melhor que o nosso sistema económico, no qual se cobram juros, é 100% fraudulento. Para além dos juros, tanto o IVA como as taxas sobre heranças são inexistentes.

No espaço de seis anos, de 1973 a 1979, Gaddafi desmatelou uma série de estruturas sociais e governamentais lançou a Revolução Cultural, instituiu o "poder do povo" e proclamou a Líbia como um "estado de massas" — a Jamahirya. Para mostrar que não estava a brincar aos políticos, como em Portugal, renunciou a sua posição no governo e insistiu para que fosse tratado por "Líder da Revolução".

Entre 1980 e 1981 nacionalizou 51% da Occidental (EUA), 50% da ENI (ITA) e a Esso (EUA) e o Produto Interno Bruto (PIB) do país era superior ao PIB da Itália, Espanha, Coreia do Sul, Singapura e Nova Zelândia.

O Grande Rio ArtificialO Grande Rio ArtificialCom os lucros do petróleo, que se tornaram ainda mais volumosos porque Gaddafi conseguiu melhores acordos com a OPEC e nacionalizou parcialmente ou por completo algumas petrolíferas, construiu um dos maiores sistemas de irrigação do mundo — o Grande Rio Artificial — para que os líbios pudessem ter acesso a água potável e desenvolver a agricultura. O Rio é uma obra gigantesca que é composta por mais de 1300 poços, quase todos a 500 metros de profundidade, que abastece o país com mais de 6 milhões e meio de água-doce por dia. Para além disso Gaddafi estava desde 2010 que estava a investir numa central de dessalinização.

De forma a tornar a Líbia auto-suficiente em termos de produção agrícola todos os líbios que pretendam dedicar-se à agricultura recebem um terreno, uma casa, uma quinta, equipamento agrícola, gado e sementes.

Outra parte dos lucros também serviu para investir na educação. Antes de Gaddafi existia apenas uma universidade. O número total de alunos matriculados era de cerca de 360 mil em toda a Líbia e grande maioria dos professores eram estrangeiros.  Depois de Gaddafi assumir o poder, instigou a formação de professores, ergueu edifícios escolares pré-frabricados, salas-de-aula móveis e tendas de ensino. Entre 1970 e 1986 foram construídas cerca de 32 mil salas-de-aula primárias, secundárias e profissionais, o número de formandos subiu para mais de 1 milhão 254 mil e o número de formadores líbios era de cerca de 79 mil.

Antes de Gaddafi, a taxa de alfabetização era inferior a 20%. Em 1977 a taxa de alfabetização já tinha subido para 51% e em 2010 88.3%. Enquanto em Portugal há pessoas a venderem ouro para pagar livros e propinas, na Líbia o ensino é totalmente gratuito incluindo aqueles que prefiram estudar no estrangeiro.
Os líbios podiam ir estudar para onde lhes apetecesse que as despesas eram pagas pelo estadoOs líbios podiam ir estudar para onde lhes apetecesse que todas as despesas eram pagas pelo estado
Tal como o ensino, também o acesso à saúde é gratuito para todos; e todos são 7 milhões de habitantes. Qualquer consulta médica, medicamento, internamento ou cirurgia é gratuita, e se o paciente ou até mesmos os chamados "rebeldes" não puderem fazer a cirurgia na Líbia, podem escolher um outro país que não têm que suportar qualquer despesa.

A electricidade para uso doméstico, tal como a água é gratuita. Qualquer casal que se case recebe 60 mil dinares líbios de ajuda financeira — cerca de 35.500 eurosSegundo o jornal russo "Eco do Norte", que cita trabalhadores líbios entrevistados pelo Pravda North-West ainda há mais benefícios:

  • Cada membro de uma família recebe 1000 dólares em subvenções
  • O subsídio de desemprego é de 730 dólares. Os recém-licenciados que não conseguem arranjar emprego a mesma coisa.
  • Uma enfermeira recebe de salário base 1000 dólares
  • Por cada recém-nascido a família recebe 7000 dólares
  • Por abrir um negócio por conta-própria o empresário recebe 20 mil dólares de financiamento
  • Na compra de um carro 50% de financiamento ou 65% no caso dos militares

Em Março de 2009, para acabar com a corrupção, Gaddafi propôs — não impôs — a dissolução do governo e que o lucro do petróleo fosse transferido directamente para as contas bancárias dos líbios. E disse: «o meu sonho durante todos estes anos foi dar directamente ao povo poder e riqueza». Como não é ele que decide, ao contrário do que os media papagueiam, os Congressos Básicos do Povo (CBP) analisaram a proposta e votaram. Dos 468 CBP, 61 disseram que sim; 251 disseram também concordar, mas pediram mais tempo para medir melhor as consequências.

Esta medida permitiria a que cerca de 1 milhão de pessoas com menos recursos financeiros pudesse beneficiar de 30 mil Dinares Líbios anualmente - cerca de 18 mil Euros. Em Portugal, o presidente ficou chocado por se ter falado em taxar fortunas e não se falar em taxar doações e heranças, e o primeiro-ministro rejeita a aplicar impostos às grandes fortunas.

Se Gaddafi fez tudo isto pela Líbia, e muito por África também, como já iremos ver, de onde é que vem a fama do apoio ao terrorismo?

É o que se vai ver no próximo artigo.

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