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Khadafi nega rumores de “guerra psicológica” de que fugiu para o vizinho Níger

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A mulher de Khadafi, dois dos seus filhos e uma filha estão na Argélia desde a semana passada, mas o paradeiro do próprio coronel é desconhecido.

Foto: Reuters

O deposto líder líbio Muammar Khadafi rejeitou, em nova comunicação, os rumores de que se terá refugiado no vizinho Níger, avaliando os mesmos como simples “mentiras de guerra psicológica”, horas depois do Conselho Nacional de Transição (CNT) ter instado as autoridades de Niamey a não acolherem o fugitivo.

Num telefonema feito ontem noite avançada para o canal de televisão satélite Arrai (pró-Khadafi), aparentemente de dentro da Líbia, o coronel continua a insistir que as tropas que lhe permanecem leais – já reduzidas a apenas alguns contingentes em três cidades, ao fim de quase sete meses de guerra civil – vão derrotar as forças da NATO e do CNT, o órgão político da rebelião já reconhecido pela generalidade da comunidade internacional como governo provisório de facto do país.

“Estamos perto de Trípoli”, garantiu Khadafi neste telefonema. “E por todo o lado vamos intensificar os ataques contra as ratazanas e os mercenários, que não são mais do que uma matilha de cães”, prosseguiu, avaliando ainda, apesar de ter já perdido quase todo o território líbio para os rebeldes, que “a NATO vai ser vencida porque não tem capacidades para continuar a interferir”.

“É que já só lhes resta a guerra psicológica e as mentiras. Agora até dizem que Khadafi foi visto numa coluna de veículos a caminho do Níger”, sustentou o coronel falando de si próprio na terceira pessoa, e argumentando que não há nada de raro numa coluna ir da Líbia para o Níger. “Mas quantas colunas de contrabandistas, de mercadores e de pessoas entram no deserto todos os dias em direcção ao Sudão, ao Chade, ou ao Mali, ou a Argélia? Até parece que é a primeira vez que uma coluna atravessa o deserto para o Níger!”

Ao longo dos últimos dias tem aumentado a especulação de uma eventual fuga de Khadafi para o Níger, depois de várias colunas militares pró-regime terem entrado naquele país nos últimos três dias, incluindo alguns membros de topo das forças de segurança do coronel – supostamente para negociar asilo para o coronel naquele país ou garantias de trânsito seguro até ao Burkina Faso.

Temendo essa possibilidade, o CNT enviou uma delegação a Niamey para exigir às autoridades do Níger que vigiem zelosamente as suas fronteiras de forma a impedir “qualquer tipo de infiltração” de Khadafi, seus familiares e aliados no país e que, se tal falhar, os devem prontamente entregar às novas autoridades provisórias de Trípoli para serem julgados na Líbia. “Cremos que [Khadafi] está perto de uma destas fronteiras, e que está à procura de uma oportunidade para partir [da Líbia]. Por isso estamos a pedir a todos os países para não o aceitarem. Queremos levar esta gente à justiça”, explicou o chefe da pasta política do CNT, Fathi Baja.

O Níger respondeu a este apelo, porém, sublinhando não ter condições para fechar a fronteira com a Líbia: “É demasiado grande e nós temos muito poucos meios, mesmo muito reduzidos, para fazer tal coisa”, escusou-se o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohamed Bazoum. O chefe da diplomacia do Níger avançou ainda que a coluna que deu entrada no país na terça-feira é “um pequeno grupo” que foi ali acolhido “por razões humanitárias”.

E quanto a uma eventual captura de Khadafi ou membros do seu clã no Níger, Bazoum afirmou numa entrevista à BBC que o seu país decidirá "caso a caso", ponderando ainda se, a deter o coronel, Niamey optará por entregá-lo à Líbia ou às autoridades do Tribunal Penal Internacional.

Já na semana passada, outros membros da família de Khadafi, incluindo a mulher e três dos seus filhos, tinham sido acolhidos na Argélia, também por “razões humanitárias”. Tanto a Argélia como o Níger, tradicionais aliados do deposto regime líbio, comprometeram-se perante a comunidade internacional em não receber nos seus territórios o coronel, cujo paradeiro permanece desconhecido, já mais de três semanas passadas desde a queda de Trípoli nas mãos da rebelião.

Um porta-voz da NATO, o coronel Roland Lavoie, disse à BBC que Khadafi não é um alvo, mas que a NATO vai continuar a atacar “centros de comando e controlo” das forças militares que lhe permanecem leais. “Se tivermos informações que revelem que, a partir de uma localização específica, estão a ser coordenados ataques ou estão a ser recebidas e enviadas informações para se conduzirem ataques, entraremos em acção”,

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