Planeta Terra Versão 2.0

Primeiro vieram buscar os judeus e eu não protestei porque não era judeu.
Depois vieram buscar os comunistas e eu não protestei porque não era comunista.
Depois vieram buscar os sindicalistas e eu protestei porque não era sindicalista.
Depois vieram buscar-me e não restava mais ninguém para protestar por mim.

Martin Niemöller (1892 ~ 1984)

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As verdadeiras e principais razões da guerra na Líbia

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Gaddafi disponibilizou 300 milhões de dólares à RASCOM para que África pudesse ter o seu próprio satélite.

Pela primeira vez na história da ONU, é autorizada uma guerra sem que tenham sido sequer feitos esforços sinceros para que se chegasse ao diálogo, e que "rebeldes" em luta pela "liberdade" têm como prioridade a criação de uma instituição bancária.

Nos dois últimos artigos, de forma a tentar equilibrar um bocado mais os pratos da "balança de informação", escrevi um pouco sobre o que é que Gaddafi fez pela Líbia e porque é que ele é considerado um terrorista.

Agora, para se perceber quais os motivos pelos quais os imperialistas estão tão interessados em "proteger" e "ajudar" os líbios é preciso rever algumas questões. É a partir daqui — para quem leu os artigos anteriores — que as peças do puzzle começam a encaixar umas nas outras.

Em 1992, a Organização Regional Africana de Comunicação por Satélite (RASCOM, na sigla em inlgês), quis ter o seu próprio satélite de comunicações. O tarifário das chamadas telefónicas e das comunicações em geral era o mais elevado do mundo, e por ano, só para os africanos poderem utilizar o satélite Intelsat tinham que pagar cerca de 500 milhões de dólares a empresas francesas e europeias.

O esforço financeiro para pôr em órbita o primeiro satélite africano ficou estimado em 400 milhões de dólares e durante 14 anos, o grupo de 45 nações da RASCOM tentou financiar-se através do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional e outros doadores, mas as condições que lhes eram impostas eram predatórias, insuportáveis e inviabilizavam o projecto. Como tal, Gaddafi colocou à disposição da organização 300 milhões de dólares, o Banco Africano de Desenvolvimento 50 milhões e o Banco Africano de Desenvolvimento Ocidental 27 milhões.

Em 2007 o projecto fica finalmente concluído e, entretanto, graças às doações tecnológicas por parte da China e da Rússia, poderam ser lançados novos satélites na África do Sul, Nigéria, Angola e Argélia. E em Julho de 2010, foram lançados mais dois satélites africanos. Para além disso, estava também previsto que em 2020 fosse lançado o primeiro satélite 100% africano, construído na Argélia.

Assim, graças aos 300 milhões de dólares que Muammar al-Gaddafi disponibilizou, os imperialistas deixaram de poder receber os 500 milhões de dólares anuais, bem como o valor gigantesco do eventual empréstimo e juros.

Como se isso já não tivesse sido suficientemente "aborrecido" para imperialistas, numa conferência do Mundo Mathaba que reunia 142 estados e organizações políticas que representavam 75% da população mundial e 85% dos recursos do globo, Gaddafi, dirigindo-se aos convidados a propósito do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional disse o seguinte:

Alguns dos líderes revolucionários que estão aqui como meus convidados foram obrigados a criar partidos, e podem perguntar por que é que Mandela ou Mugabe, ou qualquer um dos outros líderes, criou um partido? Eles foram forçados e foi-lhes dito: Ou fazem isso ou não receberão quaisquer empréstimos do Banco Mundial. Eles fizeram-no porque se sentiram obrigados, e não porque acreditavam nisso...

Falemos acerca do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional  e da Organização Mundial do Comércio. Estas [organizações] têm de ser nossas ou rejeitá-las-emos. Se é um banco mundial deve pertencer a todos nós e não deve impor-nos o que quer seja. Mas o que faz é impor a sua vontade ao povo. A Líbia contribuiu enormemente para o Banco Internacional e para o FMI. Logo é o nosso banco. Porque é que alguém na América ou noutro sítio qualquer, em nome do Sionismo e do imperialismo, deve impor as suas condições aos povos uma vez que o banco não é o banco deles, mas sim o banco de cada um de nós?

Chega. Criemos o banco Mathaba, o Banco Internacional do Mundo Mathaba. Criemos um banco. Podemos criar um banco e conceder empréstimos uns aos outros. Deixem todos os nossos estados retirar as suas contribuições ao Banco Mundial e colocá-las neste banco.

Dado que o Banco Mundial se tornou um pesadelo e uma espada a pairar sobre as nossas cabeças; e dado que nos impõe condições humilhantes e destrutivas; e dado que controla o preço do pão dos nossos filhos e controla a comida e bebida, e também o preço do combustível, roupas, comida, bebida e água, nós não o queremos, e deixemos a América e o Sionismo ficar nele. Fazem bem em ficar no seu banco.

Nós devemos retirar as nossas contribuições e criar um banco para o Terceiro Mundo, e para as forças que fazem parte desta Mathaba. Nós temos o suporte de todas as organizações. Como eu disse, as massas em Seattle estão connosco e contra todos estes pesadelos. Todos os desempregados na Europa, aos milhões, estão connosco...

Depois desta conferência, nesse mesmo ano, numa cimeira em Togo Gaddafi propôs à Organização da União Africana a criação dos Estados Unidos de África, que teria entre outras coisas, o seu próprio exército e sua própria moeda — obstáculos à estratégia imperialista.

Como a questão da moeda mathabiana é um bocado mais complexa e extensa, começemos primeiro pelo a questão do exército.

Exército americano em ÁfricaForças americanas em ÁfricaEm 2007, os imperialistas decidiram que estava na altura de criar um comando militar em África — a AFRICOM. Como seria de esperar, vários líderes africanos franziram a sobrancelha, entre os quais, Gaddafi que «protestou contra a colonização Ocidental» mostrando-se «céptico em relação à AFRICOM», diz um telegrama publicado no Wikileaks.

Em 2009 as coisas mudaram ligeiramente: Por um lado Gaddafi mantinha o cepticismo dizendo que tinha esperança que a administração Obama não prosseguisse com as intervenções militares em África, porque do seu ponto de vista isso poderia fazer com que surgissem mais actos de terrorismo. Por outro, estava aberto à possibilidade de colaborar com os EUA no campo do contra-terrorismo e contra-pirataria. Apesar da possível colaboração, Gaddafi dizia preferir o envolvimento chinês com o continente africano, uma vez que os chineses, contrariamente aos norte-americanos que optam por colocar bases militares ao pé de fontes de energia, não se intrometiam em assuntos internos, conta o diplomata norte-americano Gene Cretz.

Depois de uma cimeira "anti-imperialismo" América do Sul-África, Gaddafi e Hugo Chávez, propõem a cerca de 30 nações a criação de uma espécie de NATO envolvendo os dois continentes para contrapor a influência norte-americana e europeia.

A ser formada, a Aliança poria um fim à necessidade de Gaddafi recorrer à AFRICOM para combater o terrorismo e a pirataria, e impediria os EUA de se aproximarem da região da Eurásia descrita por Zbigniew Brzezinski — que é onde se encontra a maior riqueza do planeta e cujo seu domínio permite o controlo dos vários blocos supra-nacionais.

Balcãs da EurásiaA zona do globo que permite o controlo do planeta por ser a região onde estão localizados a maior parte dos recursos energéticos
Portanto, por um lado Gaddafi privilegia os negócios com um dos principais rivais dos EUA — a China; nega-lhes e condicona-lhes o posicionamento estratégico em relação à Eurásia; e anuncia a criação de um exército africano que, caso já tivesse sido formado em 2010, muito provavelmente, faria com que ainda hoje Laurent Gbagbo fosse o presidende da Costa do Marfim e não Alassane Ouattara que foi literalmente colocado no poder pela ONU. Ao derrubarem Gaddafi, ficam numa excelente posição para controlar o Mar Mediterrâneo, o Médio-Oriente e África.

Em relação à adopção de uma nova moeda, o melhor é que começar pelo início; fazer um apanhado de algumas questões relevantes; e depois, para quem não entende bem o dilema, explicar o melhor possível quais seriam as implicações para banqueiros-globalistas.

Mahathir MohamedMahathir Mohamed redesenhou o sistema económico da MalásiaEm 2002, o então primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamed, que durante a Crise Financeira Asiática viu o Ringgit malaio desvalorizar cerca de 75% devido à especulação, iniciou os preparativos para lançar uma nova moeda indexada ao ouro — o Dinar de Ouro do Kelantan — que serviria essencialmente, mas não só, para fazer transacções internacionais.

Como a moeda do Kelantan seguia a Lei Sharia, que proíbe a cobrança de juros (riba), Gaddafi interessou-se pelas políticas económio-financeiras promovidas por Mahathir Mohamed e reuniu-se com ele várias vezes para saber mais pormenores, bem como a manutenção da paz e harmonia.

Ao longo do tempo a ideia foi ganhando popularidade entre a comunidade Islâmica: Gaddafi reiterou a criação do Banco Central Africano; o Irão, Marrocos e Barém mostraram-se igualmente interessados no Dinar, e os países da OPEP consideraram também o abandono do dólar

Em 2006, de forma testar a implementação da nova moeda, a Malásia lançou um projecto-piloto, no qual cerca de mil lojas e restaurantes comercializaram os Dinar (moeda de ouro) e os Dirham (moeda de prata) em paralelo com o Ringgit. O projecto que só por si tinha sido considerado pelo Conselho Muamalah como o «principal evento Islâmico dos últimos 100 anos», ganhou ainda mais relevância ao verificar-se uma forte adesão à moeda bimetálica por parte dos comerciantes e dos bancos centrais com quem a Malásia tinha Acordos Bilaterais de Pagamentos.

Entretanto, em 2009, com a crise do subprime a instalar-se e o dólar a desvalorizar constantemente, países como o Brasil, Rússia, Índia, China, Japão e os países do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo (CCEAG) — que são a Árabia Saudita, o Barém, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, Oman e Qatar — começaram a reunir-se secretamente para analisar qual seria a melhor forma de abandonar o dólar americano, e se essa transição seria ou não para o ouro.

Dinar e Dirham do KelantanDinar e Dirham do estado malaio do KelantanEntretanto, em 2010, o estado malaio Kelantan lança oficialmente a moeda bimetálica em paralelo com o Ringgit. O evento volta a correr excelentemente e o primeiro semestre de 2011 é apontado como a fase final do processo de transição para os Dinar e Dirham. 

Para 2011, no seguimento da construção dos Estados Unidos de África que Gaddafi advogava, estava também previsto o lançamento de duas instituições financeiras: o Fundo Monetário Africano (FMA) em Iaundé, nos Camarões e o Banco Africano de Investimento (BAI) em Tripoli, na Líbia. Para o futuro estava também previsto o Banco Central Aficano (BCA) em Abuja, na Nigéria.

O BAI para além de ser detido exclusivamente por africanos, também tinha limitações quanto às formas de pagamento. Segundo um documento publicado no site da União Aficana «qualquer saldo devido a um membro após o pagamento ter sido efectuado (...) deverá ser pago até um montante equivalente a esse saldo, em ouro ou numa moeda aceitável para esse membro».

No que diz respeito ao BCA, que foi mais uma institução idealizada por Gaddafi, apesar de não estar prevista para já, traria alguns problemas aos banqueiros-globalistas a curto/ médio-prazo. Isto porque seria esse banco a emitir o "Afro", ou "União", que seria a moeda única africana indexada ao ouro, cujo período de transição começaria em 2009 e terminaria em 2015.

As políticas económico-financeiras a adoptar seriam mais ou menos as mesmas que foram empregues na Malásia. Durante esse processo, seria necessário o suporte de vários bancos centrais africanos como o da Argélia que deveria contribuir com 110 mil milhões de dólares, o da Líbia que contribuiria com 80 mil milhões, o da a Nigéria com 60 mil milhões, a África do Sul com 30 mil milhões e o Egipto, com 35 mil milhões, revela um documento publicado pela Comissão da União Africana.

De forma a reforçar a presença da moeda nos mercados internacionais, Gaddafi, que na altura era o presidente da União Africana, sugeriu aos estados-membro que o Haiti, a Jamaica e a República Dominicana fossem também eles integrados na União Monetária Africana.

Uns meses depois da publicação desse documento, Gaddafi disse que a «África adormecida estava agora desperta»; que estava na altura de acelerar o passo em direcção aos Estados Unidos de África, para que o continente pudesse falar a uma só voz com o Fundo Monetário Internacional e com a Organização Mundial do Comérico, e que a minoria de países que estava a minar o todo o processo ia ser «desmascarada».

Pouco depois Gaddafi resgatou o Banco Comercial do Zimbabué através da compra de 14% das acções e isso fez com que o Barclays Bank e o Standard Chartered Bank of The United Kingdom, que operavam há mais de 100 anos no banco, perdessem parte da sua importância e influência. Entretanto — sabe-se lá de onde é que virá tal ideia — o banco central do Zimbabué, está também a querer mudar rapidamente a indexação da moeda nacional do dólar americano para ouro.

Um dia depois, Gaddafi, sem entrar em detalhes, anuncia que vai investir 90 mil milhões de dólares em países africanos.

Agora, o que é que eu quero mostrar com este texto que nunca mais acaba? Quero mostrar que esta invasão à Líbia consiste essencialmente em impedir Muammar al-Gaddafi de implementar um sistema económico-financeiro baseado em ouro, na Líbia. O facto de o Banco Central Líbio (BCL) ser na altura 100% estatal, e de criar o seu próprio dinheiro isento de juros, podia facilmente articular-se com o BAI para adoptarem o novo sistema económico para o qual o BAI já estava preparado. Para além disso, o BCL, ou a Líbia, era um dos poucos países a não fazer parte do Banco de Compensações Internacionais; a descartar o Padrão de Disseminação de Dados do FMI e que pouco ou nada precisava dessas instituições.

Por sua vez, a invasão à Líbia tem também a ver com o facto de Gaddafi financiar inúmeros projectos em cerca de 20 países africanos para acabar com a influência ocidental. Não só acaba com a influência ocidental, como impede as instituições financeiras globalistas de lucrarem — tal como aconteceu quando Gaddafi disponibilizou os 300 milhões de dólares para o satélite da RASCOM.

Muammar al-Gaddafi Muammar al-Gaddafi — um dos líderes mais influentes em África e no Médio Oriente Por essa razão é que logo nos primeiros meses, os chamados rebeldes — ou das forças por detrás deles — tiveram como prioridade a criação de um banco central em Bengazi em simultâneo com uma autoridade para supervisionar a produção de petróleo. 

É que uma coisa é ser a Malásia ou a Indonésia mudar o sistema económico; outra, é ser Gaddafi, um dos principais líderes muçulmanos, presidente da União Africana, da União do Maghreb e "Rei dos Reis" a fazê-lo. Se Gaddafi o fizesse, seria uma questão de tempo até que uma série de outros países o seguissem, como está a acontecer por exemplo com Zimbabué ou como aconteceu com os países do Golfo, quando Gaddafi despejou 40 biliões de dólares na Autoridade de Investimento Líbia.

Do ponto de vista dos imperialistas, torna-se impreterivél assassinar Gaddafi. Sobretudo quando há a possibilidade dos países do Movimento Não-Alinhado — praticamente todos aqueles que estavam interessados no ouro — o seguirem.

O medo que os EUA têm do abandonodo dólar americano é tanto, que em 2007, o CEO da Swiss America Trading, Craig R. Smith, disse que o Dinar Islâmico era uma acção de terrorismo económico e que como tal iam ser tomadas medidas de contra-terrorismo.

Coincidência ou não, depois de Saddam Hussein ter anunciado que o Iraque ia passar receber os pagamentos do petróleo apenas em Euros e não na «moeda do inimigo», foram "descobertas" Armas-de-Destruição-Maciça, que levaram à "libertação" de mais de um milhão de iraquianos.

A Polónia que estava a colocar alguns obstáculos às políticas dos imperialistas; que estava sem intenções de aderir à moeda única europeia; e tinha recusado extender a linha de crédito do FMI, viu a sua administração desaparecer num "acidente" de avião em Abril de 2010 — veja a introdução do dossier "Assassinato de Lech Kaczynski".

Enquanto tenho estado a redigir este artigo, a Time Magazine publicou uma notícia a alertar para a possibilidade de vir a surgir uma "Primavera Árabe" nos países do sudeste asiático, que é precisamente onde está a haver um grande sucesso económico devido à implementação do Dinar persa.

A questão agora é: porque é que há tantos países a querem livrar-se do dólar americano e porque os EUA têm pavor do abandono da moeda? Qual é que é o problema?

A motivação por detrás do abandono do dólar enquanto moeda internacional, tem a ver com o seguinte: depois da Segunda Guerra Mundial, ficou decidido através do Acordo de Bretton Woods que o dólar americano que estava indexado ao ouro, seria a moeda internacional pela qual as outras se deveriam reger.

Richard NixonRichard Nixon "suspendeu" a indexação do dólar ao ouro em 1971 Nessa altura, uma onça tróiana de ouro, que são cerca de 31 gramas, custava 35 dólares; o que significa que por cada onça de ouro que os EUA tivessem podiam imprimir 35 dólares. Porém, isso só durou até 1971, que foi quando os EUA decidiram "suspender" esse Acordo e abandonar a indexação do dólar ao ouro. Ou seja, o dólar deixou de ter um valor intrínseco e o governo passou a poder imprimir tantas notas quanto quisesse.

Quando a Reserva Federal Norte-Americana anunciou que para conter a crise ia avançar com uma medida chamada Quantative Easing, foi exactamente isso que fez — imprimiu mais papel com uns dígitos. O nome  pomposo serve só para dar a ideia de que se trata de uma medida elaborada, criativa e inovadora num momento de profundo desespero.

Ao serem imprimidos mais dólares passa a haver mais dinheiro em circulação, o preço dos produtos aumenta e a moeda desvaloriza. Acontece que como o dólar americano continua a ser a moeda internacional, e como o petróleo é comprado em dólares americanos, a grande maioria de países é obrigada a ter essa moeda para poder comprar petróleo. Depois, os países produtores de petróleo, e os países cujas suas moedas estão indexadas ao dólar americano, mesmo que aumentem o preço do barril de petróleo, acabam por perder poder compra. Ou seja, os Estados Unidos, ao imprimirem tanto dinheiro quanto querem, estão a destruir as economias e a obstruir o desenvolvimento — daí a vontade desses países quererem abandonar a divisa.

Ao abandonar a divisa, se o petróleo começasse a ser pago em ouro, os EUA tão cedo não voltariam a comprar petróleo, porque segundo Scott Alvarez — advogado da Reserva Federal Norte-Americana — desde 1934 que os EUA deixaram de ter ouro. A única coisa que a Reserva Federal Norte-Americana tem, são certificados de ouro cujo valor corresponde a 42 dólares a onça. O mesmo dizem os Serviços Federais de Segurança russos (FSB, na sigla em inlgês), que alegam que Dominique Strauss-Kahn, foi incriminado na estória da violação da empregada do hotel, porque Strauss-Kahn tinha provas que o ouro que era suposto estar nos cofres de Fort Knox nos EUA, tinha desaparecido por completo.

Como o ouro está a preços exorbitantes — esteve quase nos 2 mil dólares por onça este ano —  se viesse a substituir o dólar, a América que é um dos maiores consumidores de recursos do planeta, sobretudo de petróleo, se não morresse, ficava "a soro" por muito, muito tempo — coisa que não pode acontecer, seja lá qual for o custo.

Campo de petróleoSó no ano de 2010 foram encontrados cinco campos de petróleo na Líbia Se a isso acrescentarmos o facto de só em 2010 terem sido descobertos cinco novos depósitos de petróleo e gás — um em Maio, outro em Agosto e mais três em Dezembro — e de a Líbia ter 144 mil quilos de ouro compreende-se por que é que os imperalistas estavam tão motivados. E as 144 toneladas de ouro, é o que existia em 2007 segundo uma tabela do FMI que consta no documento acerca da moeda "Afro". Mas da mesma forma que o Irão esteve a comprar ouro secretamente, é possível que a Líbia tenha feito o mesmo, uma vez que na cimeira "anti-imperialismo" que mencionei mais acima, Chavez disse, sem entrar em detalhes, que tinha recebido recentemente uns biliões de dólares de pagamento em ouro e outras matérias-primas — mais uma forma de escapar ao dólar americano.

A França que controla o Franco Colonial Africano usado por 14 países africanos também sairia "lesada" assim que o Banco Central Africano começasse a emitir o "Afro" — a moeda única africana. Isso justificaria a cólera francesa nesta agressão à Líbia. Se se considerar também o facto do Conselho Nacional de Transição (CNT) ter formalizado um acordo secreto com a França percebe-se melhor o empenho dos franceses tanto na elaboração da resolução da ONU, como no reconhecimento do CNT e a gana em atacar a Líbia. E a mesma coisa em relação ao empenho do Qatar a quem o CNT vendeu petróleo. O petróleo líbio é dos melhores que há no mundo.

Para além disso, a França — que em conjunto com a Alemanha tem a mania de que é dona da União Europeia — ao derrubar Muammar al-Gaddafi, recorrendo ao assassinato ou não, consegue usurpar os biliões de dólares que a Autoridade de Investimento Líbia confiou à Société Générale. Dinheiro esse, que pertence não a Gaddafi como tem sido papagueado, mas ao povo líbio, que era em quem Gaddafi queria que fosse entregue directamente o dinheiro resultante dos lucros da exportação do petróleo.

A Société Générale que ainda recentemente esteve sob suspeita, se não tiver quem reclame o dinheiro que lhe foi confiado, permite à França que durante esta nova e drástica crise económico-financeira global que se avizinha, disponha do financiamento que precisa para poder manter-se à tona e continuar a ditar aos restantes estados-membro o que é que têm ou não que fazer.

Assim, ao invadir a Líbia, do ponto de vista económico, os imperialistas conseguem, por um lado, atrasar significativamente a implementação das instituições financeiras africanas que invertiriam a balança do poder mundial, e, por outro, ganhar acesso aos abundantes recursos energéticos e ao ouro.

Se considerarmos que quando o governo dos EUA se auto financiava através das notas Greenbacks — que tal como na Líbia, era isento de juros — os banqueiros-globalistas já desesperavam, como é que eles não haveriam de se sentir agora, com a possibilidade de quase todo o hemisfério-sul adoptar um novo sistema económico? No jornal The Times of London de 1865, no qual foi publicado um artigo — que entretanto desapareceu, mas que aparece no livro The Flaming Sword, Vol. XII, No. 42 (Setembro de 1898) — acerca do desse sistema económico, é perceptível a aflição:

Se esta política financeira perniciosa que tem origem na América do Norte se enraizar, então esse governo proverá o seu próprio dinheiro sem custo. Pagará as suas dívidas e sem dívidas ficará. Terá todo o dinheiro necessário para continuar o seu comércio. Tornar-se-á próspero, sem precedentes na história do mundo. Os cérebros e a riqueza de todos os países irão para a América do Norte. Esse país tem que ser destruído ou ele destruirá todas as monarquias no globo.

Curiosamente, nesse mesmo ano o presidente dos EUA Abraham Lincoln foi assassinado.

A Líbia representava o mesmo tipo de ameaça que os banqueiros-globalistas identificaram na América há 150 anos. Com a "agravante" de ter uma forte influência em inúmeros países. A Líbia tinha tudo o que precisava para se tornar naquilo que de mais próximo se teria de um paraíso. Tinha diversas fontes de energia em abundância; água em abundância vinda do Aquífero de Arenito Núbio; uma agricultura extremamente subsidiada; parceiros tecnológicos como a China e a Rússia; e líbios a trazerem conhecimento do estangeiro.

Para além disso estavam a ser feitos investimentos em dois importantes projectos. Um deles é a Montanha Verde, que é o maior projecto ecológico do mundo que inclui: desenvolvimento sustentável; conservação arqueológica; eco-turismo, energia renovável, urbanismo ambientalmente responsável; "micro-banca", educação, biocombustíveis; produção de alimentos orgânicos; sistemas de aproveitamento de água e tratamento de resíduos.

Em paralelo estava também a haver investimentos em centrais de dessalinização. Considerando que o Banco Mundial não concede empréstimos a países que não permitam que a água seja privatizada, percebe-se também que por aqui que Gaddafi tornar-se-ia num rival, mas mais generoso.

Concluindo: as nações que não adoptam as políticas da "comunidade internacional" (leia-se Governo Mundial) têm que lidar com a NATO e aliados (Exército Mundial). Os países que mencionei na introdução deste dossier — Coreia do Norte, Irão e Síria — vão ter que mudar de regime ou enfrentar as consequências.

No próximo artigo, veremos como é que os media contribuiram para o desenrolar da agressão à Líbia.

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